segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Corpo

O corpo é todos os dias uma história que se inventa.
E eu gosto de me inventar, como uma folha que segue solta até que alguém me marque num retrato.
Nesse inconstante, todos queremos ser mais do que aquilo que somos, mas fora desse instante sou só eu.
Amanhã, com algumas variações, naquele escuro do peso da memória, serei talvez outra coisa.

[2018]

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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

s . i . m . p . l . e . s

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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

1460

Quando tinha 6 anos comecei a ter muito medo do Escuro. Todas as noites ele chegava devagarinho para me fazer adormecer e eu beliscava-me compulsivamente para isso não acontecer. 
Uma noite, já vencida pelo cansaço, deixei-me levar com a promessa de que juntos atravessaríamos o tempo para podermos sonhar todo o mundo. E eu sonho. Até hoje. **

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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Sem título

Há movimentos tão subtis a rimar com imagens tão distorcidas,
embaladas pelas mesmas mãos que amarraram todos os sentimentos ao vento.
 
Depois da dança, cria-se e desfaz-se consoante a vontade.
Sem compromissos, sem regras, deixando-o ficar parado, naquele sensível esquecimento. **

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terça-feira, 1 de outubro de 2019

Era uma vez...

 
Há histórias que começam no início, mas todos sabemos que nem sempre é assim. 
Há alturas da vida em que os recomeços, precisam mesmo começar pelo fim.

"Quero que me amanheças", dizia ela, "pois é na penumbra que mais sinto falta de ti." 
E o lobo cheio de fome para ela olhava. 
Ele sabia que a amava, mas por ela o seu estômago roncava, por ela todo ele salivava e em lágrimas rugia: "Que tortura amar-te assim." 
Fim. **

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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Cães

Lembro-me de ter medo de cães a minha infância toda.
Lembro-me de sentir vergonha de ter medo de cães.
Ainda me recordo da vergonha.
Hoje sinto vergonha de ter medo de outras coisas, mas hoje tenho um cão. **

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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

M

Para onde vão as memórias, quando o passado souber que parámos de existir? **

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

De noite muda-se a rota...

... e de manhã traçam-se novos caminhos. **

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terça-feira, 29 de maio de 2018

Indelével

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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Sonho

Ontem sonhei que o mundo se enchia de água e que toda a água se enchia de mim. **

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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Memórias



Lembro-me de ter 5 anos e de passar as manhãs sentada na mesa da cozinha, a desenhar em todos os espaços em branco dos jornais. Eram desenhos com cheiro a matapa, outros com cheiro a caril e os menos sortudos, cheiravam a favas.
Também me lembro de poucos anos mais tarde, muitas vezes adormecer a pedir ao menino Jesus, para acordar na manhã seguinte com o cabelo liso... e loiro. Esse milagre nunca aconteceu (obrigada Senhor) e os meus desenhos continuaram a crescer, à sombra da mesma carapinha de sempre. Fim. **

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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Flor

Gosto de guardar pequeninas flores nos bolsos, para que possa viajar em segredo até ao passado, sempre que me apetecer. Porque eu sei que é na ponta dos dedos que o amor pelas coisas começa e também sei que é na palma das mãos que guardamos todo o tempo do mundo. **

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Voar mais alto

A ilustração é o meu eterno amigo imaginário.
É um indelével que me realiza e que na nossa paixão me abandona.
Às vezes pergunto-lhe quanto tempo falta e ele responde-me que para eu saber… o nosso primeiro momento tinha que morrer.
Vivemos assim, a soprar as linhas, que teimam em bater certo quando desistimos delas.
Hoje, disse-me ele: "Deixemos de viver para o que possa vir a ser. Temos 362 dias para podermos voar mais alto."
Feliz 2018. **

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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

** Natal 2017 **

Todos somos mais felizes quando nos permitimos ser verdadeiros, vestidos com cor ou mergulhados num doce preto e branco.
Só assim podemos deixar fugir as palavras, trocar os nomes e esquecer quanto tempo falta.
A ilustrar, *nós* somos livres. 
** feliz natal **

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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Perfeita


Tentamos encontrar a perfeição em frente ao espelho, aquele espelho que a sociedade oferece às mães, assim que os filhos as ensurdecem com o seu primeiro grito. 
Crescemos e há uma vaidade que cresce connosco, empurrando-nos para a ação, obrigando-nos a atravessar espaços cada vez mais limitados. 
Não autorizamos o reflexo de cicatrizes, não destapamos o que todos dizem ser o que verdadeiramente importa... ao invés disso, embaciamos as feridas, impomos o nosso melhor lado e oxidamos os mais ínfimos defeitos. 
Temos medo. Sim. Temos medo do que nos parece diferente, sentimos vergonha da pobreza e enojamo-nos com a doença até que a mesma nos bata à porta. 
Mas quem seríamos afinal, se não existisse o medo? 
Mostrar-nos-íamos assim, perfeitamente idiotas? **

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